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domingo, 27 de fevereiro de 2011

R.I.P. Suze Rotolo, eterna musa!


O site da Revista Rolling Stone publicou que Suze Rotolo, ex-namorada e eterna musa de Bob Dylan, faleceu no último dia 24/02, aos 67 anos. As causas da morte não foram divulgadas.

Suze, a garota que ficou imortalizada ao aparecer abraçada ao bardo na capa do seu segundo disco, ‘The Freewheelin´Bob Dylan’ e eternizada em várias canções do mestre, tais como "Don't Think Twice, It's All Right"; "Boots of Spanish Leather" e "Tomorrow Is a Long Time", havia lançado, em 2009, um livro de memórias (A Freewheelin' Time: A Memoir of Greenwich Village in the Sixties), no qual narrava acontecimentos daqueles primeiros tempos de Dylan, quando este, então um jovem imaturo saído do meio-oeste americano, chegava à cidade de Nova York e dava seus primeiros passos em direção ao estrelato, apresentando-se em bares e cafés do Greenwich Village.



Muitos atribuem à musa, uma boa dose de responsabilidade no amadurecimento de Bob Dylan naqueles primeiros anos. Howard Sounes, um dos melhores biógrafos de Dylan, afirma que Suze era “uma artista que lia Rimbaud e Byron e se envolvia em produções teatrais de Brecht”. Suze esteve presente às sessões do disco de estréia de Bob Dylan. Foi ela quem lhe deu o porta-batom usado para trastear o violão na gravação de “In My Time of Dyin’”. Meses depois, serviu como inspiração p/ boa parte de ‘The Freewheelin´’, disco que a eternizou e que consolidou Bob como o grande artista que influenciaria todas as gerações que se seguiram.

O relacionamento se desfez. Bob casou-se com Sara. Suze uniu-se a Enzo. Mas a inspiração daqueles primeiros anos do artista em formação, ficou para sempre... R.I.P., Suze, eterna musa!

quinta-feira, 22 de maio de 2008

O início de tudo


Era só um menino recém-chegado aos 20 anos, um violão na sacola, uma idéia fixa de encontrar seu ídolo, Woody Guthrie (na época à beira da morte, em um leito de hospital) e uma determinação incrível de seguir atrás dos seus sonhos.

Corria o ano de 1961 e após uma breve passagem pelas “cidades gêmeas” de Minneapolis e St. Paul e outra, ainda mais breve, por Chicago, aquele garoto franzino vindo de Hibbing, chegava à fria Nova York, enquanto um rigoroso inverno castigava a cidade. Havia, entretanto, um local que fervia na grande maçã. Era o frenético Greenwich Village, onde se encontravam os cantores folk, poetas beatniks, escritores e outros diversos artistas. Naquele cenário agitado, o jovem Dylan daria seus primeiros passos rumo a gloria e desses primeiros passos, talvez o maior tenha sido exatamente a gravação do seu primeiro disco, chamado simplesmente “Bob Dylan”.

Um álbum muitas vezes subestimado na discografia do trovador norte-americano, mas que já dava uma boa mostra do gênio que ali surgia. É bem verdade que apenas duas canções, das 13 que compunham o disco, eram da lavra do próprio Bob: “Song to Woody” e “Talkin' New York”, mas mesmo estas já apontavam um futuro bastante promissor para aquele rapaz de cabelos desgrenhados e roupa esfarrapada. No restante do repertório, ele visitava canções tradicionais, algumas até de autoria desconhecida, além de novas versões de velhos blues de Jesse Fuller; Bukka White e Blind Lemon Jefferson.

A gravação do disco e consequentemente o contrato de Dylan com a Columbia Records só foi possível graças à influência de John Hammond, o mais destacado executivo da indústria fonográfica dos EUA, naqueles tempos. Hammond, que já havia projetado Billie Holliday, ouvira Dylan tocar gaita numa sessão de gravação de Carolyn Hester e decidiu apostar naquele jovem músico, ao descobrir que ele também compunha seu próprio repertório.

O disco, gravado entre os dias 20 e 22 de novembro de 1961, ao custo de apenas US$ 402,00 somente seria lançado em março de 1962. Como as vendagens foram muito aquém do esperado, cerca de 5 mil exemplares no primeiro ano, Bob passou a ser chamado pejorativamente de “loucura do Hammond”. Mas o lendário executivo sabia que tinha em mãos uma aposta segura.

O álbum todo tinha um clima “on the road”, viajante, bem ao estilo daquela época, um verdadeiro passeio pelo território americano, uma viagem cheia de imagens, histórias, estradas, trens, estações...

O Dylan que ali surgia era o viajante, o explorador, o expedicionário, como ele próprio se definiria décadas mais tarde. Ainda jovem, naquele disco já estava o Dylan homem, o poeta, mas acima de tudo o trovador, o caipira, o contador de histórias. Já transparecia o embrião do compositor que viria a ser e do intérprete inconfundível que já havia se tornado. O primeiro Dylan já era único, já era gênio.

A força de sua interpretação, a maneira muito singular de abordar os temas e cuspir as palavras de forma crua, por vezes irada e em outras, irônica, o viés contestador, embora ainda não tão intenso, estava tudo ali. Naquele primeiro disco já estavam presentes todos os indícios daquele artista que durante as próximas décadas transformaria a música e a si mesmo, tantas e tantas vezes. Talvez o velho Hammond já soubesse que dali em diante as pedras iriam rolar, as chuvas cairiam e as respostas soprariam no vento...