terça-feira, 24 de maio de 2011

O Mentiroso

Por Marcelo Xavier


Eis o homem! Tem aquela famosa cena no meio do show do Royal Albert Hall em 1966 (que na verdade não é no Albert Hall) onde um sujeito na platéia - escandalizado pela barulheira neurótica que Bob Dylan (que faz hoje 70 anos (de idade) transformara a sua apresentação, colocando uma banda de rock no último volume tocando blues pesado depois de um set acústico - sobe na cadeira e chama o menestrel das esquerdas de "Judas". Ao passo que o compositor, enquanto procura o gozador na platéia, responde: "eu não acredito em você. Você é um mentiroso".

Pois a verdade é essa: você é que é o mentiroso, caro sr. Bob Dylan. Mentiroso e oportunista. Você fez todo mundo de bobos. Seu método foi simples. Você viu que a onda do rock tinha passado junto com a cultura dos anos 50 como um juiz nos seus últimos anos de magistratura. Não foi isso o que você falou no Crônicas, seu picareta??

Você é apenas um rábula que vivia rondando universidades até que descobriu que uma garotada que vivia em Nova Iorque havia redescoberto aquele pessoal de esquerda dos Weavers, que todo mundo agora estava curtindo Paul Anka e você não tinha voz nem físico nem carisma para ser um Pat Boone, leu sobre os vagabundos da América beat e virou uma versão moderna deles.

Então você deve ter pensado MAQUIAVELICAMENTE da seguinte maneira: todo mundo acha que esses rapsodos estilo Woody Guthrie são uns sujeitos que fazem puro proselitismo em letras de um engajamento político de algibeira. Já que todos pensam que esses folk singers não passam de um bando de simplórios que acham que vão matar fascistas com um violão rachado E PREGAR UMA PEÇA NOS FARISEUS.

A fórmula era simples: aproveitar a onda da boemia bem vestida do Village que, depois do ressurgimento da onda folk em Newport (ali por 1960) e do recrudescimento de movimentos pelos Direitos Civis, e entrar nessa nova onda.


"Vou virar um folk singer de 18 anos fazendo cara de cachorrinho abandonado, usando botas de guarda-freios embarradas, um boné, uma gaita, vou ouvir todos os discos possíveis de blues, de folk, vou copiar o Dave Van Ronk, Charlie Patton e todo aquele pessoal do Anthology of American Folk Music, vou aprender dedilhados e acordes de blues, vou aprender harmonica, vou ver Genet, Balzac, Gogol, Victor Hugo, o Metamorfoses do Ovídio, a autobiografia Davy Crockett, roubar discos dos meus amigos, procurar Clausewitz, Faulkner, Poe, Longfellow e entrar em todas essas transas literárias e não ter nenhuma pose de intelectual. Vou ser um intelectual sem biblioteca. Vão me perguntar de onde eu aprendi a toca violão e vou dizer que foi através de um sujeito de pés de casco de bode na auto-estrada 61".

Bob Dylan, esse mentiroso. O plano dele é simples, e todos caíram. ele sabia que a cultura imediata do seu tempo estava com os dias contados, o grande golpe era aproveitar que o folk estava na mesma transa dos movimentos de esquerda. E pensou: "Vou ser o queridinho deles". Assim, Bob Dylan, na meca das editoras musicais, começou a fazer barulho e marquetear a sua imagem de Werther com um violão no colo e carinha de menor abandonado. Pegou todo repertório possível de blues e folk e estudou todas as possibilidades de arquivar aquilo, graças à sua memória de elefante.

E foi simples: Dylan pegava cançonetas tradicionais obscuríssimas, como No Auction Block, fazia uma paráfrase marota, escrevia algo ordinário e que todos queriam ouvir, como "quantos caminhos um homem precisa trilhar para tornar-se um homem?".

Foi assim que o sr. Zimermann inventou essa mentira, chamada Bob Dylan. Ele plagiava dezenas de temas folk, escrevia letras de protesto inteligentíssimas e que convergiam para todo o movimento de massas que crescia nos Estados Unidos do começo dos anos 60. Só precisava chamar a atenção de algum produtor de discos, arranjar um empresário (de preferência, inescrupuloso) e dar visibilidade àquele fait-divers peripatético do menino menor abandonado e frágil que, de repente abre a voz fanhosa e canta versos intermináveis denunciando injustiças sociais, políticas beligerantes pró-intervenção ianque no Extremo Oriente, assassinatos covardes de líderes sociais e empregadas domésticas, crônicas de desvalidos e sem culotes da vida afora.

Agora basta enlatar e vender para as massas. Dylan ainda caiu nas graças de um certo Albert Grosmann, que juntou a sua inescrupulosidade (?) com e dele (Grosmann tinha uma transa com o pessoal de Newport e com as editoras do Tim Pan Alley e, do Café Wha! para as prateleiras de discos e programas de tevê era um pequeno passo) e, desse conúbio, Dylan inventou a sua reputação. De uma hora para outra, a juventude americana não queria mais Frankie Avalon, Pat Boone, Neil Sedaka e essa estirpe de cantores fabricados para bobbysockers.


Bob Dylan acabou com eles. e paulatinamente ia acabar com o mercado dos cantores-intérpretes: a partir dali, o mercado queria consumir apenas cantores-compositores. Enfim: o crápula Dylan pôr o mercado fonográfico americano em xeque (a soldo de Havana ou Moscou, diziam) e a moda agora era ser fanhoso e talentoso, ou seja, um ultraje à moral e aos bons costumes.

Como se não bastasse, Bob Dylan não parou de mentir. Do nada, viu que a moda agora eram conjuntos musicais eletrificados fazendo música ligeira, como os Beatles. Mesmo que ele não gostasse, ele fez como fez com Patton, Guthrie, Henry Thomas e todos aqueles folk-singers castiços do tempo do gramofone. Resolveu forjar, da maneira mais abjeta e oportunista, a sua própria versão de uma banda de rock.

Foi quando ele cometeu o acinte de abandonar as jornadas de esquerda e escrever letras surrealistas e sem sentido nenhum, com versos ridículos como "o sol não é amarelo, é galinha", para provocar tanto quem caiu no seu conto do vigário quanto quem não gostava dele.

Sabem aquela querela em Newport, em 1965, quando ele trocou o violão pela guitarra? Ele morre dizendo que não, mas aquilo foi uma manobra WTF prá mandar todos aqueles ingênuos úteis às favas. Mandou o velho Pete Seeger pegar o seu avoengo e ingênuo We Shall Overcome e ver se ele está na esquina da 4th Street com um macaquinho e seu realejo e todos aqueles sombrios perdedores mortos-vivos da fila da Desolação. ele sabe que ninguém vai matar fascistas cantando isso. A verdade é essa: o Mr Jones eram eles, e eram vocês, que achavam que estavam tão certos do que sabiam e de toda a mensagem e estavam todos por fora.

Vocês não sabem nada, ficam citando livros e não aprenderam nada, todos são Judas. Dylan não é um Judas, Dylan é um personagem convencendo a VOCÊS a veracidade das mentiras dele, como diria o Paul Klee: os traidores são vocês, que não têm o que fazer. Vocês estão errados, vocês acreditaram num embuste, numa falcatrua. Não adianta reclamar com ele, reclamem com o SAC. Ele é um produto de consumo como tudo nesse mundo debaixo do sol.


Pior: depois de forjar aquele acidente de moto, ele voltou, anos depois, e gravou um disco imitando todos aqueles rednecks quadradões de Nashville enquanto gente como o Johnny Cash, o Waylon Jennings e o Willie Nelson quebravam lanças numa guerra cruenta contra o Nashville Sound, e Dylan resolveu adotar a pose de conservador e pai de família, com musiquinhas do tipo: "deita na minha cama, sua linda". Olha o naipe da parada. Menestrel das Esquerdas pai de família, pintando quadros e querendo dar tiros nos fãs chatos em Woodstock. Menestrel das Esquerdas. E a conta bancária? Vai bem?

Dylan: I don't believe you. You're a liar. Parabéns, seu mentiroso!

Texto originalmente publicado no Blog 'Pato Macho'.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Perto do mito


Sai no Brasil edição revisada de No Direction Home, biografia de Robert Shelton, jornalista que “descobriu” Bob Dylan em 1961 e teve acesso privilegiado à vida do músico:

O rapaz de 20 anos refletiu por dois instantes: “Bob Dylan, Bobby Dylan, Bob Dylan, Bobby Dylan… Escreva Bob Dylan! É como quero ficar conhecido.”

Transcorria a última semana de setembro de 1961, e o músico, após um show no clube Gerde’s Folk City, em Greenwich Village, falava pela primeira vez à imprensa. O entrevistador era um amigo recente, habitué da cena folk nova-iorquina, Robert Shelton (1926-1995) – que, dias depois, publicaria no New York Times: “Suas roupas podem estar precisando de ajustes, mas, quando ele toca violão, gaita ou piano, não restam dúvidas de que está arrebentando de tanto talento”.

À resenha se seguiu um contrato do então anônimo músico com a poderosa Columbia, mas os bastidores daquela noite e de inúmeras outras nos anos 60 – que outros biógrafos puderam só apurar, em vez de vivenciar – foram conhecidos apenas em 1986, quando Shelton enfim conseguiu publicar No Direction Home, projeto acalentado por duas décadas.


E só agora, 50 anos após aquele primeiro texto, passados 26 anos da morte do autor e no mês em que o compositor de Blowin’ in the Wind e Like a Rolling Stone completa 70 anos (no dia 24/05), a biografia sai nos EUA tal como Shelton a concebeu. Revisada por Elizabeth Thomson, amiga que acompanhou os anos finais de edição, foi também a primeira versão a sair por aqui, pela Larousse do Brasil, no último dia 15/05.

“Shelton sempre disse que a biografia havia sido ‘resumida sobre águas turbulentas’”, disse Thomson ao Estado. “O livro terminaria com a turnê de 1978. Como a edição demorou, ele teve que atualizar até os anos 80, que não era uma boa fase de Dylan, e ele não tinha muito o que dizer. O forte eram os anos 60, quando Dylan e ele saíam juntos. Boa parte foi cortada em 1986 para que o livro tivesse tamanho aceitável.”

A nova edição, com consideráveis 768 páginas, é bem mais detalhada sobre os anos 60 e termina como Shelton queria, em 1978. Um ponto alto é a descrição de um voo no avião particular de Dylan, em 1966, quando uma exclusiva era chance rara para qualquer jornalista. A edição de 1986 deixou a situação “formal e entediante”, segundo Thomson. “Não dava a dimensão do que era aquele homem acelerado, por bebidas, drogas ou o que fosse, falando sem parar.”

No livro, Shelton descreve: “O ritmo do discurso e a vitalidade dos pensamentos passaram a inflamar Dylan. Seus olhos estavam despertos quando ele prosseguiu: ‘Pergunte qualquer coisa que respondo. Agora temos algo muito claro em relação ao livro. Darei a você quanto puder do meu tempo. Você pode me enrolar, mas nunca vou perdoar se fizer isso, cara’”.


Na nem sempre confortável posição de amigo, o que assumidamente interferiu em análises na biografia, Shelton manteve acesso a Dylan enquanto outros repórteres se debatiam em tentativas de entrevistas com resultados dadaístas (aquelas famosas, com perguntas e respostas do gênero “Sobre o que é seu livro?” “Anjos.”; ou “Quantos cantores de protesto existem?” “Cerca de 136.”). O jornalista testemunhou inclusive a origem da aversão do amigo à imprensa: uma reportagem da Newsweek, de 1963, que localizou os pais de Dylan, com quem ele não falava havia anos, e revelou seu nome real, Robert Zimmerman.

Shelton também viria a falar com a família, criando retrato pungente das discrepantes lembranças de Dylan e de seus pais em relação aos tempos em que ele vivia em Minnesota. Mas isso após pedir autorização, como fez também antes de entrevistar Suze Rotolo, a namorada eternizada na capa de The Freewheelin’ Bob Dylan (1963). A esse pedido de Shelton, Dylan respondeu: “Ela sabe mais do que ninguém que, em 1961 e 1962, quando não tinha ninguém por perto, eu tocava aqueles velhos discos de Elvis Presley. Na verdade, eu disse a ela para nunca falar com ninguém. Mas, se você quiser falar com ela, tudo bem. Só não a pressione, ok? Todos a pressionam”.


por Raquel Cozer – originalmente publicado em 'A Biblioteca de Raquel' e no 'O Estado de S.Paulo'

domingo, 27 de fevereiro de 2011

R.I.P. Suze Rotolo, eterna musa!


O site da Revista Rolling Stone publicou que Suze Rotolo, ex-namorada e eterna musa de Bob Dylan, faleceu no último dia 24/02, aos 67 anos. As causas da morte não foram divulgadas.

Suze, a garota que ficou imortalizada ao aparecer abraçada ao bardo na capa do seu segundo disco, ‘The Freewheelin´Bob Dylan’ e eternizada em várias canções do mestre, tais como "Don't Think Twice, It's All Right"; "Boots of Spanish Leather" e "Tomorrow Is a Long Time", havia lançado, em 2009, um livro de memórias (A Freewheelin' Time: A Memoir of Greenwich Village in the Sixties), no qual narrava acontecimentos daqueles primeiros tempos de Dylan, quando este, então um jovem imaturo saído do meio-oeste americano, chegava à cidade de Nova York e dava seus primeiros passos em direção ao estrelato, apresentando-se em bares e cafés do Greenwich Village.



Muitos atribuem à musa, uma boa dose de responsabilidade no amadurecimento de Bob Dylan naqueles primeiros anos. Howard Sounes, um dos melhores biógrafos de Dylan, afirma que Suze era “uma artista que lia Rimbaud e Byron e se envolvia em produções teatrais de Brecht”. Suze esteve presente às sessões do disco de estréia de Bob Dylan. Foi ela quem lhe deu o porta-batom usado para trastear o violão na gravação de “In My Time of Dyin’”. Meses depois, serviu como inspiração p/ boa parte de ‘The Freewheelin´’, disco que a eternizou e que consolidou Bob como o grande artista que influenciaria todas as gerações que se seguiram.

O relacionamento se desfez. Bob casou-se com Sara. Suze uniu-se a Enzo. Mas a inspiração daqueles primeiros anos do artista em formação, ficou para sempre... R.I.P., Suze, eterna musa!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Mais um concerto histórico vê a luz do dia...


Depois do ‘Live at the Gaslight - 1962’, lançado com exclusividade pela rede de cafés Starbucks em 2005 e do memorável ‘Live at Carnegie Hall - 1963’, de uma promoção limitada da Columbia Records, Bob Dylan anunciou em seu site oficial o lançamento de um novo disco “ao vivo”. Na verdade, o “novo velho álbum” captura mais uma apresentação histórica, antes da fama, daquele que viria a se tornar “a voz de sua geração”, na época, um jovem de apenas 21 anos, desta vez o concerto no Brandeis First Annual Folk Festival, na cidade de Waltham, no Massachusetts, no dia 10 de maio de 1963, cerca de duas semanas antes do lançamento do álbum ‘The Freewheelin' Bob Dylan’, cuja gravação foi descoberta recentemente nos arquivos de Ralph J. Gleason, um dos fundadores da revista Rolling Stone, pelo seu filho Toby, numa faxina na velha casa de seus pais, após o falecimento de sua mãe.

Estamos falando do álbum ‘Bob Dylan in Concert – Brandeis University 1963’, que será lançado em CD e vinil, no próximo dia 12 de abril. Na verdade, trata-se de um disco já lançado recentemente, numa edição limitadíssima, como bônus por ocasião da pré-venda do ‘Bootleg Series – Vol.9 / The Witmark Demos’ e do box ‘The Original Mono Recordings’, caixa contendo os 8 primeiros discos do velho bardo, nas suas versões originais, em mono. Portanto, alguns felizardos que fizeram a compra antecipada, inclusive este que vos escreve, receberam o disquinho de brinde, numa embalagem do tipo mini-vinil, de papelão, que aparentemente será substituída nessa nova versão, tendo em vista que, segundo informações oficiais, o álbum trará ainda “liner notes” de de Michael Grey, autor do livro ‘The Bob Dylan Encyclopedia’, com considerações a respeito das 7 músicas presentes no disco e também sobre os contextos histórico e cultural vividos naquela época.



No texto, elaborado especialmente para este lançamento, Grey destaca que “é um milagre que a gravação ainda exista”. A gravação raríssima, até então inédita, posto que nunca havia sido disponibilizada nem mesmo por “bootleggers”, traz áudio em mono, registrado diretamente da mesa de som e com qualidade suficiente para ser lançada oficialmente.

Confira abaixo a lista completa de faixas:

• Bob Dylan In Concert: Brandeis University 1963

1 – Honey, Just Allow Me One More Chance (incompleta)
2 – Talkin’ John Birch Paranoid Blues
3 – Ballad Of Hollis Brown
4 – Masters Of War
5 – Talkin’ World War III Blues
6 – Bob Dylan’s Dream
7 – Talking Bear Mountain Picnic Massacre Blues

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Baixe o volume do áudio e percorra as próximas páginas


No texto abaixo, uma mais que bem-vinda colaboração de um grande amigo dylanesco, o popular 'Visconde'. Boa leitura!

Se ouvir os novos trabalhos do Dylan é como aguardar um próximo capítulo de um romance surpreendente que nunca se fecha, a expectativa de lê-lo sempre foi imensa por parte de um séquito qualificado de fãs. A pergunta era: seria capaz, o compositor e poeta mais destacado do século XX, oferecer uma prosa escrita a altura do seu talento na música?

A agência de notícias EFE divulgou no último dia 20/01, que o músico americano Bob Dylan assinou contrato para escrever seis novos livros, que eventualmente serão distribuídos pela editora Simon & Schuster. Em 2004 a editora americana publicou com sucesso de vendas “Crônicas: Volume 1” de Dylan. Dos volumes previstos, dois deles serão a continuação da trilogia proposta por “Crônicas”, que foi muito elogiada pela crítica.

Muito provavelmente a Editora Planeta do Brasil deverá assegurar o direito de reprodução para a língua nativa e repetir semelhante quantidade de vendas do Volume 1, que disponibilizou no início de 2005. Será o suficiente para que os fãs e admiradores do cantor e compositor americano possam ler da própria lavra do mestre aspectos e passagens de parte da sua longa e profícua carreira.


Mas ai que está. Dylan beira aos 70 anos a serem completados ainda neste primeiro semestre e a dúvida, com alguma pertinência, é sua capacidade e disponibilidade de tempo para escrever tanto de forma sã e compatibilizar com seu circo permanente de apresentações cuja agenda é das mais exigentes. Dylan tem se notabilizado, entre outras coisas, pela aparente decisão de levar a sua arte onde as portas estiverem abertas, sempre de maneira surpreendente e inovadora. Faz parte da tradição e comportamento do músico, desde há muito, não repetir performances tal qual roteiro de teatro. É sempre uma nova e nem sempre tão feliz abordagem de músicas dos mais de quarenta anos de carreira permeada com a produção recente. Basta lembrar que conta-se nos dedos de uma mão o número de compositores da chamada música popular que continua apresentando novas obras como ele.

A dúvida pode fazer algum sentido para os mais desatentos. Acredito em outra coisa. É muito provável que a sequência de Crônicas já deva estar em condição de prelo. Faz muito sentido Dylan ter esboçado e rascunhado a continuidade do primeiro volume no mesmo período em que o disponibilizou. Talvez apenas alguns detalhes estejam sendo considerados antes do seu lançamento, como ainda pode ser que faça parte de uma estratégia de vendas em doses homeopáticas para melhor assimilação do leitor. É da natureza do Dylan a produção de fôlego em quantidade e qualidade como o prova seu primeiro período de gravação, lá pelos anos 60 e o que foi servido na primeira década deste século: trabalhos impecáveis, amplos; novidades e referenciais adequados ao momento histórico da humanidade e da cronologia do próprio autor.


Se ouvir os novos trabalhos do Dylan é como aguardar um próximo capítulo de um romance surpreendente, que nunca se fecha, a expectativa de lê-lo sempre foi imensa por parte de um séquito qualificado de fãs. A pergunta era: seria capaz o compositor e poeta mais destacado do século XX oferecer uma prosa à altura do seu talento na outra arena? A resposta é sim e desta vez não estava no vento e sim nas páginas do primeiro volume de Crônicas. Literatura de primeira, coloquial sem ser simplório; criativo sem ser surrealista como parte de suas letras de música, objetivo e envolvente.

Nas pouco mais de trezentas páginas do primeiro volume, percorremos um período curto da vida do artista orientado por ele próprio e nesse percurso ninguém se perde no caminho apesar das particularidades e especificidades da América do início da segunda parte do século XX. Dylan nos brinda com uma articulação de idéias concatenadas e amarradas entre si de maneira a não nos distrairmos e nos perdermos com a generosidade de detalhes que acompanha as laudas. Um evidente talento como escritor. Serve informações alocando-as em contextos que ganham ares de uma composição pictórica, outro talento relativo do músico que já o depositou em telas que circulam por algumas galerias na Europa. E o que mais impressiona. Não há sequer uma linha ficcional em toda a obra como prova uma rigorosa comparação, por exemplo, com o livro “Dylan - A Biografia”, de Howard Sounes, publicado em 2002 pela Conrad Livros.


É possível percorrer com a voz e vez do Dylan algumas passagens muito semelhantes às narradas pelo Sounes em seu livro biográfico, o que lhe confere maior credibilidade, reforçando a recíproca que se torna verdadeira, daí exclamamos: “Hã! Então foi assim mesmo que as coisas aconteceram”.

Prato refinado e de qualidade para os fãs que vão sorvê-lo de um fôlego só, poderá ser apreciado sem moderação por qualquer um que tenha algum interesse num dos mais fascinantes personagens e sua obra dos tempos modernos.

J. de Mendonça Neto (Visconde)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Que porra é Bob Dylan?

Aqui vai mais um texto do jovem e talentoso blogueiro gaúcho, Jonathan Rocha. Mais um amigo a dar sua contribuição ao Blog Dylan:

Aquele ar cigano, de pirata desencarnado, ou de vagabundo sem lar, que atravessa uma cidade com um cigarro na mão, atrás de fogo pra acender e tragar uma fumaça compatível com sua saúde, aquele ar, aquilo, exatamente aquilo é uma incógnita. Eu não quero definir esse ar, não quero encontrar a resposta pra essa pergunta. Isso nem teria como. Mas eu quero me indagar até o fundo da minha alma, quero exercitar os neurônios estrapolados do meu cérebro para tentar entender: que porra é Bob Dylan?

Procurei nas entrelinhas - nas estrelinhas também - embaralhadas do Chronicles e só encontrei mais rotas sem sentidos, desconexas. Na verdade não gostaria de encontrar a resposta, mas me esforço em raciocinar sobre, talvez se um dia encontrar eu escreva um livro contando. Talvez vire best-seller. Mas esse ar cigano, essa imcompreensão é o que compõe a mística desse judeu de ar cansado. E eu sei que aquela voz rouca que lança um uivo de dor, não quer ser ouvida pelo entusista descobridor de mistérios, mas quer lançar perguntas ao ar, quer fazer as situações-problemas aparecerem e desaparecem como um raio. E no final das contas, a gente coloca um disco do Dylan, acende um cigarro e chora ouvindo uma canção sem nem precisar entender que porra ele é.

Essa é a resposta da pergunta? Claro que não. Se fosse tão fácil assim os fazedores de hits na internet teriam a mesma mística, não? Então vai mais além. Mas vai até onde? Não quero saber, eu só quero mesmo é divagar um pouco sobre essa figura singular. Eu já sei que a resposta está soprando no vento, e que ele leva e traz essa resposta. Eu quero me antenar pra não perder ela de vista, deixar ela sempre a dois palmos da minha percepção. Mas nunca ouvi-la, definitivamente. Manter a incógnita, o mito, a preocupação em descobrir que porra é esse tal de Robert Allen Zimmerman!?!? Dizem que é muito mais que um cantor que escreve e canta poesias retiradas do fuindo das entranhas de um coração partido envelhecido em whiskey doze anos. Dizem que é muito menos que isso, um babaca, uma tarturuga escondida num casco. Mas põe casco né? Casco de cowboy solitário e de cristão renascido.

Acho que ele é o dono do Desire, isso basta. Basta até o café esfriar, e o tempo do outro chegar na mesa. O tempo do cigarro percorrer metade do papel e quase encostar no filtro, fazendo meus dedos recuarem por culpa do calor. É só o tempo de duvidar de quem é Bob Dylan, aí não basta mais. Vira outra coisa, troca de figura. Vira o dono do Bringing it All Back Home. Traidor do Folk. Os Mutantes também trairam a música brasileira, ou não? Essa história de guitarra elétrica já deu o que falar. O negócio, eu acho, é a traição. Dylan traiu a todos, por isso não podemos achar uma explicação. Como responder uma mentira, uma pergunta que não existe? Ele só é. Entendeu a ênfase no "É"? Então, tudo como está e para de se questionar.

Vou tentar não perder o vento de vista, deixar o ar cigano tocar nas minhas narinas e entrar nos meus pulmões. Ouvir a voz rouca praguejar contra a chuva, contra a sala de estar, contra qualquer coisa. Vou apenas me acomodar numa poltrona velha, colocar a mão no queixo e em posição filosófica endagar outra vez - não antes de rir de todo esse texto ridículo: Que porra é Bob Dylan?

Por Jonathan Rocha
Texto originalmente publicado no blog http://thesadparadise.blogspot.com/

Transformar o cara em Cristo, para depois chamar de Judas.


Por Jonathan Rocha, músico e escritor beat, 19 anos, de Porto Alegre/RS.

Talvez já tenha se dito ou especulado quase tudo sobre a vida e/ou carreira (artística) de Bob Dylan. Sobre os tempos reclusos, guerras conjugais, problemas com drogas, problemas com público, canções, interpretações falhas e também boas interpretações de sua obra. Mas acho que acima de qualquer pesquisa que se faça, acima de qualquer teoria, interpretação acadêmica, conversa de bar; está aquela sensação agradável (ou não) de ouvir uma canção, um suspiro que preenche a gaita, o toque dos dedos sujos na guitarra, ou no violão acústico, enfim, a sensação quase sempre única de ouvir algum trabalho do Dylan. E isso quer dizer que não importa o que o crítico disse sobre o disco, o que os fãs falam sobre a música ou que história ela guarda consigo, o que importa é o sentimento que eu sentirei quando os primeiros acordes soarem.

Não existe nenhum deus, nenhum herói, existe um cara compenetrado em escrever suas canções para desafiar o mundo, os críticos e - incrívelmente - os fãs. Toda interpretação que se faz, e isso não se vale apenas para as músicas do Dylan, é só metade do que a música representa, a outra metade não pode ser escrita, porque ela só se nota quando transborda pelo nosso corpo, seja em lágrimas ou em urros de raiva. Assim como as canções tribais, as sinfonias das metrópoles, as canções de Dylan simplesmente existem porque deveriam existir. Aquilo é um conjunto, Dylan traduz o asfalto quente, o óleo diesel, o canto do pássaro em retirada, a fumaça dos cigarros... e como interpretar uma coisa dessas? Só nos resta sentir e o que tornará isso mais interessante é que cada um sentirá da sua maneira, conforme ele vê ou sente o asfalto, os pássaros e os cigarros. As teorias, as conversas, as interpretações, são todas tentativas de explicar esse sentimento, não as julgo erradas, eu sempre que possível faço isso, é até um exercício para entender melhor estes sentimentos. Mas the answer is blowin´ in the wind, e o vento já passou, a gente só olha pelo retorvisor e sente um vazio no peito. Por isso, fumar um cigarro olhando o disco se movimentar na vitrola, calmamente junto com a melodia, é igual (ou melhor), que tragar aceleradamente em uma mesa de bar, atormentado por aditivos noturnos tentando conversar um outro que "Desire" é melhor que "Highway 61". São tentativas, são interpretações, pessoais, interpessoais, chapadas, ordenadas; são sentimentos, são movimentos internos. É apenas uma canção, um som dançando em nossos ouvidos, mudando gerações, fazendo pessoas entrarem ou sairem do buraco. Este é Bob Dylan.

Mas nessa confusão toda de sentimentos, de busca por explicação ou de tentar se aproximar do cara, acredito que uma coisa está certa: Bob Dylan traduz a metáfora da vida. Assim como outros artistas também o fazem muito bem (Julio Reny, no Brasil; Johnny Cash, lá fora...), assim como outras formas artísticas também fazem, assim como o próprio futebol representa uma metáfora da vida, nos campos tortuosos e sujos de várzea onde alguns talentosos se sobressaem aos esforçados e nobres zagueiros. A metáfora é essa, a vida não é fácil, não é um gramado verde limpo e liso, é um campo esburacado, com sinais de uma guerra, é a guerra vista do front. E o cara traduz isso, o cara saca essa metáfora e amplifica a guitarra pra fazer isso, ou simplesmente senta com um violão acústico e uma harmônica. As mudanças de estilos, as trocas de sonoridades, são adaptações, adaptações que sua alma faz ao mundo que engole asfalto lá fora. Não se muda o mundo com uma canção, então não há o que insistir no mesmo erro. A metáfora está na nossa frente o dia todo, nos metrôs lotados, nos ônibus pegando fogo, e alguém precisa armazenar isso nas nossas telas da vida, alguém precisa botar a cara a tapa. Ser o Judas e ser o Cristo, ao mesmo tempo.

Texto originalmente publicado no blog http://thesadparadise.blogspot.com/

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

The Witmark Demos


Mais um texto da lavra do amigo Marcelo Xavier, profundo conhecedor da obra e carreira do Bob Dylan:

O público americano é como a Bela Adormecida: está dormindo profundamente, esperando ser beijado e despertado pelo príncipe da música folk. Quem proferiu essa frase foi Albert Grosmann, então apenas um jovem promotor de shows em Chicago, meio-oeste dos Estados Unidos. Ele estava no negócio do folk desde 1956, quando fundou o Gate Of Horn, em Chicago, descobrindo Odetta, Roger McGuinn e Bob Gibson. Quando Al conheceu George Wein, no fim dos anos 50, ele teve a brilhante idéia de se mudar estrategicamente para Nova Iorque, o paraíso das editoras musicais, e transformar o recém criado Festival de Jazz de Newport numa histérica e ululante meca do velho gênero entronizado por Woody Guthrie e os Weavers.

Em poucos anos, Newport seria oponto de encontro da velha e a nova geração, e base de lançamento de jovens artistas folk, como Joan Baez, Phil Ochs, os Clancy Brothers, entre outros. Grossman, naturalmente, tratou de criar uma editora para si, e de se oferecer como empresário de vários deles, como Gordon Lightfoot, Odetta, Pozo Seco Singers e, é claro, um trio que foi cria sua Peter; Paul and Mary.

Em fins de 1962, no mesmo ano em que o grupo lançava seu primeiro disco, Grossman descobriu um rapaz que tocava no Gerde’s Folk City, no Village, mas que, no entanto, já havia sido descoberto e que estava sob a tutela de John Hammond, quase em estúdio, pronto para lançar o seu primeiro disco.

O garoto cantava material folclórico do tempo de Henry Thomas e imitava os talkin’ blues de Pete Segger, conseguindo ser tão convincente quanto o autor da langorosa “Where All The Flowers Gone”, com a diferença que o fedelho mal contava vinte anos. Um cofre caiu na cabeça de Grossman: ele havia achado o “seu” príncipe encantado aquele que Seeger chamou de “mais prolífico compositor de nossa era”.


O homem não cessaria enquanto não conseguisse pôr as mãos naquele moleque que era compositor e cantor ao mesmo tempo. Só que ele teve uma idéia brilhante: iria registrar boa parte das composições numa editora. Grossman faturaria em cima dele tanto pelo registro original da maioria das músicas enquanto poderia faturar o dobro fazendo seus outros músicos realizarem covers.

Al persuadira seu novo contratado a transferir os seus direitos autorais de suas músicas de sua editora original, a Dutchess Music para a Witmark, uma espécie de subsidiária da Warner (é importante lembrar que Peter; Paul and Mary, moldados pelos escrúpulos de Grossman, eram justamente artistas da Warner).

Enfim, era um negócio promissor, principalmente num tempo em que o negócio da fábrica de compositores em Tin Pan Alley ainda estava no auge e a música folk havia ganho maior visibilidade a partir do fim dos anos 50. .

O problema é que o acordo secreto com a Witmark dava exatamente um faturamento de 50% de honorários por cada compositor que ele trouxesse para a editora. Dylan desconhecia esse acordo, e isso, com efeito, lhe geraria uma dor de cabeça que perduraria por anos entre Bob e Grossman.

Os registros são ligeiramente informais, gravados em rolo, mas não diferem muito da produção típica do Bob Dylan do começo da careira e a maioria do seu trabalho em disco na época podia ser produzido e editado em poucas horas (o Another Side, por exemplo, foi consumido em uma noite e algumas garrafas de Boulanger).


De certa forma, esses demos compreendem uma parcela considerável do reportório obscuro de Dylan, inclusive boa parte do material composto para os álbuns The Times They Are A-Changin e o The Freewheelin' Bob Dylan. Muitas dessas canções são pouco conhecidas ou completamente obscuras: "Sally Gal", "The Death of Emmett Till", "Rambling, Gambling Willie", e "Talkin' John Birch Paranoid Blues", "Kingsport Town" e "Whatcha Gonna Do", entre outras conhecidas, como "A Hard Rain's a-Gonna Fall" ou "Oxford Town".

Na verdade, os Witmark Demos, em parte (quarenta e sete músicas, no total), compreendem o período prolífico da gestação do The Freewheelin', esse talvez uma exceção na carreira de Dylan, já que seu segundo elepê levou quase um ano para ser lançado: a primeira sessão ocorreu ainda em Julho de 1962, quatro meses após o primeiro disco, com uma turnê pelo Europa durante a produção.

Ocorre que, nesse meio tempo, ele continuava a compor, e muito do material já editado foi sacado fora em favor de novas canções, como "Girl from the North Country", "Masters of War", "Talkin' World War III Blues", "Bob Dylan's Dream", e que seriam posteriormente incluídos no álbum. Alguns temas, como a controversa “Talkin' John Birch Paranoid Blues" (mais conhecida por conta da controvérsia), foram rejeitados por pressão da própria Columbia, depois que Bob Dylan foi orientado a não cantá-la no politicamente correto Ed Sullivan Show.

Como essas demos não eram registros formais - gravados de forma peculiar, ao sabor do improviso, ou seja, fora da CBS – muitas das suas canções mais conhecidas por causar estranheza pelo fato de que Dylan não utiliza harmônica. Uma curiosidade é ouvi-lo cantando Tomorrow Is A Long Time”, diferente da versão ao vivo do Greatest Hits 2.Outra é “Death Of Emmett Till”, que tem os mesmos acordes de House Of Rising Sun e que, talvez por conta disso, ficou de fora.

por Marcelo Xavier

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Johnny Cash & Bob Dylan

No final da década de ´60, mais precisamente no ano de 1969, dois grandes ícones da música americana, Bob Dylan e Johnny Cash, se reuniram para apresentação em um programa de TV e sessões de gravação em estúdio. Essa parceria rendeu uma música incluída no álbum ‘Nashville Skyline’, de Dylan e em uma série de bootlegs que circulam mundo afora. Abaixo, transcrevo um belo texto sobre o assunto, da lavra de Rodrigo de Andrade e publicado originalmente no site ‘Os Armênios’ (um dos melhores sobre música e litaratura), em 2006. A transcrição respeita integralmente a inusitada escrita do autor e sua publicação original pode ser vista no seguinte endereço: http://www.osarmenios.com.br/2006/07/johnny-dylan/

Segue o texto:

para maurício rigotto, com admiração.

anteontem assisti johnny & june. & o tempo inteiro fiquei pensando no quanto ka$h & dylan tem em comum.

ambos levavam uma carreira em ritmo frenético, excursionavam sem parar (a never ending tour de bob segue até hoje) & como conseqüência acabaram entupidos de boletas. durante a infância, sentiam enorme paixão pela música popular que rolava nas rádios locais (country & folk & western & boogie & gospel & traditional & cajun & bluegrass & honky tonk & blues…). na gênese, se envolveram com música da mesma forma (ainda que os quase dez anos de diferença na idade possibilitaram a dylan viver o boom do rock ainda na adolescência). mas zimmerman não tinha um relacionamento tão tempestuoso com o pai, & nem o apego religioso, & nem a tragédia com um irmão tão próximo (ainda na infância) como o lendário homem de preto. & ka$h fora profundamente marcado por isso tudo.

lembro que no alta fidelidade, rob gordon comenta algo como “tenho que admitir que meu livro predileto é ka$h, a biografia de johnny ka$h, escrita por johnny ka$h”. prefiro o filme do que o livro. & talvez me arrependa de escrever isso porque um monte de alternativos de plantão vão me cacetear defendendo o nick hornby (mas vai ser divertido). o fato é que o livro preferido do rob nunca vai chegar ao brasil, & johnny & june é uma bela oportunidade de conferir um pouco da biografia do ka$h.

todo mundo fala do verão de 1964, quando al aronowitz intermediou o encontro de dylan com os quatro cabeleiras do pós-calipso, & de como o judeu safado teria apresentado o fuminho do capeta aos rapazes (o que é um equívoco, porque john & george já eram chegados num beiseball). ok, foi um acontecimento marcante, eles se admiravam, se influenciavam, ficaram amigos & mudaram o mundo. mas pouco antes desse encontro, no newport folk festival (não no da eletrificação, mas na edição anterior), bob tinha conhecido alguém que lhe era muito mais caro, & que howard sounes comenta na biografia não-autorizada do artista (& que o cara daquele livro do comedor de xis – que é bem legal – comentou que o peninha achou a obra meio hebe camargo):

“Apesar do novo trabalho ter recebido críticas positivas e negativas, o festival foi pessoalmente importante para Bob porque ele finalmente conheceu o artista country Johnny Cash, com quem estivera se correspondendo e cuja música ele admirava há tempos. Bob e Johnny ficaram tão felizes por se conhecerem que, juntamente com Joan Baez e June Carter Cash, puseram-se a pular para cima e para baixo na cama do quarto de motel de Cash, ‘como crianças’, como este descreveu“. (p. 148 da edição brasileira, da konrad).

a partir daí, a presença de ka$h é sentida em fatos pitorescos da carreira de dylan. um ano depois, novamente no newport folk festival (aí sim), após o set elétrico de zimmerman (que derrubou o cu dos caretas & a gente pode ver & rolar & chorar & rir, no no direction home), bob volta ao palco (uns garantindo que aturdido pelas vaias, outros dizendo que rindo da armadilha que ele mesmo programara). estava com um violão em punho. foi aplaudido pela platéia, & quando pediu uma gaita trêmula emprestada, o público prontamente providenciou centenas. mas aquele violão, quem emprestou para ele, nos bastidores, fora ka$h.



bootleg series: as sessões de dylan & ka$h

em fevereiro de 1969, dylan estava em nashville gravando a (ótima) peça de country/folk-rock nashville skyline. no mesmo estúdio, ka$h também trabalhava em seu novo álbum. resolveram registrar umas canções juntos. bob johnston, produtor, conta que eles pegaram seus violões & simplesmente começaram a tocar… por umas duas horas. Foram umas dezoito músicas, & em algumas foram acompanhados por membros da banda de ka$h. dessas, apenas uma foi parar no disco de bob. uma versão suja & marcante de girl from the north country, que abre o disco. ainda assim há peças preciosas que nunca viram a luz do dia (apenas em versões piratas): matchbox, that’s alright mama, walk the line, ring of fire… essas outras canções estão presentes numa série de títulos piratas.

num do números da (então ressucitada) revista bizz, aproveitando o lançamento do documentário de scorcese & o volume sete da antológika bootleg series de dylan, produziram uma matéria bem legal sobre esses lendários registros de dylan que acabam vindo a tona em lançamento piratas fuleiros, com qualidade sofrível. a alegria dos fãs é quando esses tesouros são oficializados com qualidade decente nas bootlegs series. e o pessoal da bizz apostou na oficialização das sessões no porão da big pink, que já garantiria uma caixa com vários CDs (e seria incrível!). but, ainda mais com a onda por causa de johnny & june, prefiro acreditar (e torcer) pelo lançamento dessas sessões de dylan & ka$h em nashville.

para quem não agüenta esperar, esses registros circulam pela internet, & são facilmente encontradas nos mais diversos compartilhadores de arquivo. só posso dizer que vale a pena. procure pelos bootlegs “nashville 1969″ & “aces & diamonds”, ou mesmo por “dylan & cash sessions”.

outra da biografia escrita pelo sounes (p. 215): “De todas as estrelas da música que tinham suas bases no sul, a relação mais calorosa de Bob foi com Johnny Cash. Um sinal de afeição por Cash foi ele ter deixado de lado sua profunda implicância com a televisão para se apresentar na estréia do programa de televisão de Cash, gravado ao vivo no Ryman Auditorium, em Nashville – lar do Grand Ole Opry – em 1º maio de 1969“. na época, dylan andava completamente recluso. o fato da gravação ser com platéia, & de que nada poderia dar errado (seria take único) o deixou visivelmente perturbado (ou fora apenas uma paranóia, fruto dum baseado, maybe). ainda assim ele tocou três canções, sendo acompanhado por ka$h em girl from the north country. mas o show foi um enorme sucesso do programa, sendo reprisado várias vezes & colaborando com a promoção das vendas de nashville skyline. o áudio da performance também é encontrado nos títulos piratas listados acima.

nota de rodapé: recados achados no lixo

desde 1964 que dylan tinha um fã obsessivo chamado alan jules weberman. o mala incomodava muito: organizava manifestações em frente a residências de bob, publicava matérias dizendo que deviam ser feitos testes com a urina do rockeiro para constatar que ele era viciado em heroína, entre outras barbaridades. a verdade é que weberman era um junkie doidão & colecionava condenações pelos mais diversos motivos, desde vender maconha até agressão a um policial. entre suas pérolas, há o “método dylanológico” para se interpretar mensagens ocultas nas letras de bob. bobagem pura. em agosto de 1970, o retardado roubou um saco de lixo da casa do artista. chegou a desenvolver um método que consistia em se valer do lixo como base para artigos de jornal (que resultou no livro my life in garbology – minha vida na lixologia). entre as coisas que ele achou no lixo de dylan, havia o início de uma carta para johnny ka$h.

o judeu, o kountry & discos… menores???

após a monstruosamente genial trilogia de 1965/66 (composta pelos lendários álbuns bringing it all back home, highway 61 revisited & blonde on blonde) a crítica, o público & os fãs estranharam o direcionamento de dylan. john wesley harding (no finalzinho de 1967) & nashville skyline (1969) eram discos de country-rock. a diferença era evidente, mas como se tratavam de trabalhos com qualidade inquestionável, & apontou caminhos seguidos até mesmo pelos beatles & os stones (no álbum branco & beggars banquet respectivamente), & venderam bem (especialmente nashville skyline, empurrado pelo hit-single lay lady lay) ninguém ralhou muito. apenas alguns radicais que queriam de volta o ícone de protesto, herói da contracultura, que dylan havia se (ou sido) transformado.

os trabalhos seguintes, na mesma linha, não foram perdoados. até hoje são apresentados em biografias & resenhas como álbuns menores, de importância secundária. sem dúvida, são afirmações injustas. na verdade, são idiotices que foram se propagando com o tempo.

o country sempre esteve presente na vida & na carreira de dylan, desde sua infância & perpassando quase todos os seus discos. sobre os primeiros álbuns, deve ser dito que a fronteira entre o country & folk é bastante tênue, & os gêneros as vezes se misturam, andam juntos & geram peças híbridas. o country tem uma forma simples, variando sobre temas similares & sobre tradição, ainda que o gênero se estilhace numa enorme variedade de estilos. já o folk (o termo vem de folk+lore, conhecimento do povo, o “folclore”) é composto por canções que foram passando pelas gerações através da tradição oral. & ambos tem uma origem (e letras com temática) rural. assim, tanto o folk como o country (e seus vários sub-estilos) sempre estiveram incorporados na sonoridade de dylan, desde que ele se apaixonou por aquelas canções no rádio, em sua infância, & as foi conhecendo, pesquisando & tocando até que alcançasse o estrelato.

a influência country sempre esteve presente na obra de bob. desde o primeiro álbum. até na trilogia de 1965/66 isso é sentido. seja numa levada caipirosca, no dedão pesado em algumas canções acústicas, ou mesmo na guitarrinha country de faixas de bringing it all back home & até blonde on blonde. usar esse pretexto para achincalhar álbuns como john wesley harding, nashville skyline & os posteriores é uma enorme bobagem. o country sempre esteve & estará no som de dylan.

com o sucesso comercial de nashville skyline, bob voltou aquela cidade em seguida, no final de abril de 1969, com vários songbooks. informou ao seu produtor, bob johnston, que queria gravar um disco com músicas de outros artistas. começava a gestação de self portrait. um dos motivos que levou dylan a tomar essa decisão era o fato de que, em virtude de contratos anteriores, suas composições geravam rendas para albert grossman, manager com quem estava brigado. assim, gravando músicas de terceiros, bob negava a grossman a renda de publicação. Também, pesando nesse sentido, tinha o fato de que continuando a gravar em nashville, ele se via cercado por pessoas de uma tradição musical que amava. era o cenário & os estúdios de onde haviam saído johnny ka$h & uma série de outros heróis que dylan admirava, especialmente na adolescência. tanto é que usou, nas seções, vários músicos que já haviam gravado com elvis, como bob moore, delores edgin & millie kirkham.

as gravações foram um tanto irregulares, & após ter se mudado de woodstock, dylan rompeu com nashville. tratou de gravar o restante álbum no estúdio da kolumbia em nova york. o motivo nunca ficou claro, o fato é que o rompimento foi deveras brusco, & os músicos de nashville ficaram magoados, como charlie mccoy & kenny buttrey, especialmente por não serem avisados, & nem terem recebido ao menos uma cópia do disco, após o lançamento.

self portrait foi lançado em junho de 1970 & a crítica simplesmente destruiu com o álbum. composto pelas covers, algumas faixas ao vivo & até temas instrumentais (a faixa wigwam, que no brasil virou tema da tv record, dez anos depois), todos se decepcionaram por bob, o grande poeta, não ter apresentado uma quantidade maior de material inédito. especialmente pelo fato do disco ser duplo. greil marcus, o erudito do rock (autor de a última transmissão, lançado esse ano na coleção iê-iê-iê da konrad), escreveu uma crítica para a revista rolling stone que já iniciava perguntando “que merda é esta”. geralmente adulado pela mídia, pela primeira vez dylan era alvo de deboche & pancadas.

por mais suspeito que eu seja, não acredito que o disco mereça tamanho desprezo. não era a primeira vez que bob mudava a sua “direção” musical, & o flerte com o country estava entalado na garganta de muita gente. continuavam a se decepcionar porque o rockeiro ia explorando caminhos novos sem ligar para o que os outros esperavam. pela primeira vez, ele se valeu de “enfeites” como arranjos melosos de cordas, sopros & acompanhamentos vocais. o resultado foi diferente de tudo que o artista já havia produzido, mas não de todo mal. uma faixa que se encaixa totalmente nessa proposta nova, & que foi detonada na época, é a primeira do álbum: all the tired horses. exagero. não é uma música má. anos depois chegou a ser incluída na (excelente) trilha sonora do (puta) filme profissão de risco (com o gatinho do johnny depp). ainda, o álbum trazia covers de blue moon (sucesso na voz de elvis), the boxer (de simon & garfunkel) entre outras. nem a versão ao vivo na ilha de wight de like a rolling stone, countryzona, foi polpada. mas, ninguém nega que o disco tenha momentos fortes, marcantes, como its hurts me too (parecendo ser dedicada a uma amante com um filho) & gotta travel on, de paul clayton.

segundo al kooper, bob ficou chateado com a má recepção de self portrait, & assim tratou de trabalhar num novo disco imediatamente, com canções novas. dizem que por ciúmes pelo produtor bob johnston, & os músicos charlie daniels & ron cornelius estarem tocando na turnê de leonard cohen (outro grande poeta-rockeiro-judeu), dylan teria dispensado-os, & colocou kooper para produzir seu novo álbum. & assim, ainda em 1970, apenas três meses após self portrait, new morning foi lançado (pouco antes do lançamento já atrasado do livro de bob, tarantula).

a rolling stone até recebeu new morning de maneira mais calorosa. a resenha de ralph j. gleason tinha como título “dylan está de volta!”. mas a opinião geral era uma bobagem. não podendo cacetear as músicas, indiscutivelmente boas (e no mesmo estilo do de self portrait, só que com apenas temas de autoria do próprio cantor) afirmavam que bob havia se vendido. o álbum era realmente mais leve, mas ótimo. gleason escreveu que o escutara dez vezes & não tinha encontrado uma única faixa ruim. & é verdade. mas não podiam dar o braço a torcer, & estava sendo bonito transformar dylan novamente em judas.

muitas faixas eram ainda das sessões de self portrait. a ótima if not for you foi lançada naquele mesmo ano no inacreditável álbum triplo de george harrison, all things must pass. ele & bob eram muito próximos. & no futuro, a música seria um sucesso na voz de olivia newton-john. diziam que went to see the gypsy falava sobre um encontro com elvis presley, mas dylan nunca admitiu nada nesse sentido. if dogs run free vinha com um arranjo jazzístico. three angels era, na verdade, sobre uma decoração que bob viu numa igreja, & um crítico da época afirmou que a canção era sobre a humanidade. a faixa título & outras duas canções do álbum haviam sido compostas para uma peça de teatro de archibald macleish, mas não foram entregues a tempo. na época, a universidade de princeton deu ao rockeiro o título de doutor em música honoris causa. durante a cerimônia, uma nuvem de gafanhotos pouso sobre árvores em frente ao prédio, no campus, onde estava ocorrendo a solenidade. david crosby (ex-byrds & então membro do crosby stills nash & young) tinha acompanhado dylan & sara até cerimônio & disse terem fumado uma baseado fortíssimo. achou o som dos gafanhotos esquisito & alto & pensou que sua cabeça fosse explodir por causa dele. inspirado pelo comentário, bob compôs day of the locust.

new morning novamente fora castigado por que dylan não era mais um cantor “de protesto”. apesar disso, a crítica confirmou que as canções eram boas, sem saber que muitas eram das sessões do massacrado self portrait. & até 1973 nenhum outro álbum do artista foi lançado (apenas uma coletânea, “more greatest hits”, que até trazia algumas faixas inéditas). foi quando surgiu a oportunidade de bob compor a trilha sonora & atuar num faroeste de sam peckinpah (ele admirava o diretor, & de maneira especial a película meu ódio será tua herança). as filmagens foram um tanto caóticas (com o diretor bêbado todo o dia), mas a atuação do rockeiro, num papel coadjuvante, ficou boa. & a trilha foi composta fora dos moldes habituais. sem se preocupar com a duração & os cortes das cenas, dylan foi produzindo temas instrumentais. cercado por um grupo bastante eclético de músicos, que incluíam booker t. & roger mcguinn (o roger magrinho), o resultado impressionou bruce langhorne, que era acostumado a trabalhar com trilhas sonoras: “me dei conta de que não tinha a ver com fazer a trilha” diz ele “mas com captar a emoção do filme”. a trilha incidental evoca em alto grau o faroeste. & bob fora aclamado pelo trabalho. o engraçado mesmo é perceber que o disco acabou vendendo bem, uma vez que possui poucas faixas acabadas, & soe mais como uma miscelânea de temas instrumentais, incidentais & temáticos. mas o hit knockin’ on heaven’s door foi um tremendo sucesso (sendo regravada por eric clapton, os farofeiros ridículos do guns’n'roses, zé ramalho é uma penca de outros artistas). é apenas engraçado constatar que um disco de recortes de temas do filme tenha sido bem recebido, uma vez que trabalhos anteriores, bem montados & acabados, tenham sido caceteados sem perdão.

encerrando essa fase mais caipiresca, & injustamente apontada como fraca, existe um disco que foi lançado sem que a gravadora consultasse o artista. em 1973, seu contrato com a kolumbia expirou, & bob assinou com geffen, se mudou para a asylum (subsidiária da elektra, que depois se tornou o “e” da wea) & gravou dois discos incríveis com a the band (planet waves & o ao vivo convulsivo before the flood). mas antes desses lançamentos, & para concorrer com eles, a kolumbia lançou um disco de sobras de estúdio. composto por canções gravadas durante (e entre) self portrait & new morning, o lp, que fora batizado simplesmente de dylan, mal foi escutado. sua fama, por ser um amontoado de restos de discos considerados fracos, era o suficiente para consagrá-lo como o pior trabalho de toda a vasta discografia do rockeiro. novamente, não vou ficar arrolando razões em defesa de um álbum massacrado. digo apenas que, dentre todos esses títulos, desde o início da década de 1970, acho que aí está o meu favorito. um tiro curto (são apenas nove canções) & que até pode soar kitsch (não que eu me importe). mas lado “a” é irrepreensível. abre com lily of the west, seguida por i can’t help falling in love (elvis) antes de emendar a vibranta sarah jane, para fechar com uma canção tradicional, spanish is a loving tongue. o lado “b” também é muito legal, com direito até a big yellow taxi (da joni mitchell) & a fool such as i (outra de elvis).

por fim, concluo apostando em todos esses discos menosprezados. fatores históricos levaram ao seu obscurecimento, por um preconceito contra o country & uma vez mais por dylan ter optado por rotas distintas para sua carreira musical. um feito que decepcionou a crítica, & acabou marcando tais obras. entretanto, hoje, com um distanciamento que permite uma análise mais fria daquilo que realmente importa, que são os discos, eles parecem coerentes & consistentes. aprecie sem preconceitos, nem que seja para concluir que não passo de um dylanófilo cretino esperneando por bobagem.

por rodrigo de andrade (garras)

Nota, a foto acima, na qual o autor aparece deitado entre diversos discos ‘dylanescos’ é de autoria de Roberta Scheibe.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Direto do forno!

Tem novidades ‘dylanescas’ no forno. Segundo a Newsletter do site oficial do Bob Dylan, a Sony/Columbia prepara dois grandes lançamentos, previstos para chegarem às lojas (pelo menos nos EUA e na Europa), no dia 19 de outubro de 2010. O primeiro deles é ‘The Bootleg Series Volume 9 – The Witmark Demos’, nada mais, nada menos que 47 canções gravadas entre 19612e 1964, em suas próprias editoras de música, Leeds Music e M. Witmark & Sons, apenas com Bob Dylan e seu violão acústico, sua harmônica e, ocasionalmente, ao piano. Esta edição chegará às lojas em CD duplo ou num Box com 4 LPs vinil 180 gramas. Ambas versões estão em pré-venda e com uma camiseta de brinde. Há ainda uma edição 'deluxe', que vem com livreto recheado de fotos da época.

Circula pela internet o provável ‘set list’ desse 9º Volume da ‘Bootleg Series’:


Disc 1:
1. Man On The Street (Fragment)
2. Hard Times In New York Town
3. Poor Boy Blues
4. Ballad For A Friend
5. Rambling, Gambling Willie
6. Talking Bear Mountain Picnic Massacre Blues
7. Standing On The Highway
8. Man On The Street
9. Blowin’ In The Wind
10. Long Ago, Far Away
11. A Hard Rain’s A-Gonna Fall
12. Tomorrow Is A Long Time
13. The Death of Emmett Till
14. Let Me Die In My Footsteps
15. Ballad Of Hollis Brown
16. Quit Your Low Down Ways
17. Baby, I’m In The Mood For You
18. Bound To Lose, Bound To Win
19. All Over You
20. I’d Hate To Be You On That Dreadful Day
21. Long Time Gone
22. Talkin’ John Birch Paranoid Blues
23. Masters Of War
24. Oxford Town
25. Farewell

Disc 2:
1. Don’t Think Twice, It’s All Right
2. Walkin’ Down The Line
3. I Shall Be Free
4. Bob Dylan’s Blues
5. Bob Dylan’s Dream
6. Boots Of Spanish Leather
7. Walls of Red Wing
8. Girl From The North Country
9. Seven Curses
10. Hero Blues
11. Whatcha Gonna Do?
12. Gypsy Lou
13. Ain’t Gonna Grieve
14. John Brown
15. Only A Hobo
16. When The Ship Comes In
17. The Times They Are A-Changin’
18. Paths Of Victory
19. Guess I’m Doing Fine
20. Baby Let Me Follow You Down
21. Mama, You Been On My Mind
22. Mr. Tambourine Man
23. I’ll Keep It With Mine

Algumas destas músicas de Dylan, jamais foram oficialmente lançadas, embora uma delas, um hino dos direitos civis, "The Death Of Emmett Till", tenha sido incluída na compilação da Smithsonian Folkways, de 1972, "Broadside Ballads, Vol. 6: Broadside Reunion."

O outro lançamento, extremamente aguardado pelos fãs e colecionadores, pegando carona na recente onda de relançamentos em mono, é ‘The Original Mono Recordings’. Que vem a ser um Box com os 8 primeiros discos do bardo, nas suas versões originais, em mono, exatamente da maneira que o artista entendia que aquelas canções deveriam ser escutadas. Esses oito álbuns, que vão de seu disco de estréia em 1962, simplesmente chamado ‘Bob Dylan’, até ‘John Wesley Harding’ de dezembro de 1967 estão entre os mais importantes da história da música.

Segue abaixo, a lista dos oito álbuns que farão parte deste ‘box’, que já está em pré-venda em 2 versões, 8 CDs ou 9 LPs vinil 180 gramas, ambas com um pôster-brinde. Existe ainda uma outra versão, acompanhada de livreto com fotos e um ensaio do consagrado crítico musical Greil Marcus:


Bob Dylan – 1962
The Freewheelin’ Bob Dylan – 1963
The Times They Are A-Changin’ – 1964
Another Side Of Bob Dylan – 1964
Bringing It All Back Home – 1965
Highway 61 Revisited – 1965
Blonde on Blonde – 1966
John Wesley Harding – 1967

Ainda não há previsão de lançamento destes itens no Brasil, mas tudo indica que também ganharão suas edições nacionais. Vamos aguardar!